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HISTÓRIA DE CHAVES 

São numerosos os vestígios na região de Chaves, legados por civilizações pré-históricas, que levam mesmo a admitir a existência de povoamentos no longínquo período Paleolítico. É considerado deste período um instrumento de pedra encontrado na encosta da serra do Brunheiro. Porém, são abundantes os achados procedentes do Neolítico, do Calcolítico de Mairos, Pastoria, S. Lourenço, dentre outros locais, e das civilizações proto-históricas, nomeadamente nos múltiplos Castros situados no alto dos montes que envolvem toda a região do Alto Tâmega.

 

Foram as legiões romanas, que há dois milénios, dominaram esses homens, que até aí tinham vivido, como deuses, alcandorados no cimo das montanhas e se instalaram de modo especial no vale, fertilíssimo do Tâmega. Fixaram-se onde hoje é a cidade e distribuíram pequenas fortificações pelas alturas circundantes, aproveitando, para tais guardas-avançadas, alguns dos castros conquistados. Edificaram, presumivelmente, a primeira muralha que envolveu o aglomerado populacional; construíram a imponente ponte de Trajano, sobre a via Bracara-Astúrica; tiraram proveito das águas quentes mineromedicinais, implantando balneários termais; exploraram minérios, filões auríferos e outros recursos do solo e subsolo.

 

Tanta importância adquiriu este núcleo urbano, naquela época, que foi elevado à categoria de Município, quando no ano 79 d.C., dominava Vespasiano, primeiro César da Família Flávia. Será esta a origem de Aquae Flaviae, designação antiga da atual cidade de Chaves e da designação dos seus habitantes, Flavienses. Calcula-se, pelos vestígios encontrados, que o imponente núcleo monumental e centro cívico da cidade se situavam no cerro envolvente da área hoje ocupada pela Igreja Matriz. O seu atual recorte lembra ainda o traçado de um acampamento romano, com o Fórum, o Capitólio e a Decumana que seria a rua Direita. De facto, neste perímetro foram encontrados os mais relevantes vestígios arqueológicos a testemunhá-lo, expostos no Museu da Região Flaviense, sendo mesmo de evidenciar uma lápide alusiva a um combate de gladiadores. A florescência da dominação romana verificou-se até ao início do século III, apagando-se gradualmente com a invasão dos povos denominados vulgarmente por Bárbaros. As invasões dos Suevos, Visigodos e Alanos, provenientes do leste europeu, puseram termo à colonização romana.

 

O período de dominação bárbara durou até que os mouros, povos do Norte de África, invadiram a região e venceram Rodrigo, o último monarca visigodo, no início do século VIII. Com a invasão dos árabes, também o islamismo invadiu o espaço ocupado pelo cristianismo, o que determinou uma azeda querela religiosa e provocou a fuga das populações residentes para as montanhas. As escaramuças entre mouros e cristãos duraram até ao século XI. A cidade começou por ser reconquistada aos mouros no século IX, por D. Afonso, rei de Leão que a reconstruiu parcialmente. Porém, logo depois, no primeiro quarto do século X, voltou a cair no poder dos mouros, até que no século XI, D. Afonso III, rei de Leão, a resgatou, mandou reconstruir, povoar e cercar de muralhas. Da presença islâmica remanesce, quase tão-somente na cultura popular, uma grande variedade de lendas interligando castros, tesouros fabulosos e mouras encantadas.

 

Foi, provavelmente, por volta de 1160 que Chaves foi integrada no país que já era então Portugal, com a relevante intervenção dos lendários Ruy e Garcia Lopes tão intimamente ligados à história desta terra.

 

Pela sua situação fronteiriça, Chaves era vulnerável ao ataque dos invasores. D. Dinis, como medida de proteção, mandou levantar o Castelo e a fortificação muralhada que ainda hoje dominam grande parte do burgo citadino e a sua periferia.

 

Em 1253 realizou-se em Chaves, o casamento de D. Afonso III com a sua sobrinha D. Beatriz, filha de Afonso X, o Sábio. Foi o Bolonhês quem concedeu à povoação o seu 1º foral, a 15 de Maio de 1258; D. Manuel I outorgaria novo foral em 1514. Aquando da Guerra da Independência, D. João I montou em redor de Chaves um cerco que durou 4 meses; tendo-se-lhe rendido a praça. O senhorio da vila foi então dado a D. Nuno Alvares Pereira, que o viria a ceder a D. Afonso, seu genro, fundador da Casa de Bragança, na qual Chaves se conservou durante vários séculos.

 

Cenário de vários episódios bélicos no século XIX, nela se tendo celebrado a 20 de Setembro de 1837, a designada Convenção de Chaves, após o combate de Ruivães, que pôs termo à revolta Cartista de 1837, conhecida pela revolta dos marechais.

 

A 8 de Julho de 1912, travou-se um combate entre as forças monárquicas de Paiva Couceiro e as do governo republicano, chefiadas pelo coronel Ribeiro de Carvalho, de que resultou o fim da 1ª incursão monárquica. Os intervenientes republicanos desse combate foram homenageados na toponímia de Lisboa, com a designação de uma avenida, a Avenida Defensores de Chaves, entre a Avenida Casal Ribeiro e o Campo Pequeno.

 

A 12 de Março de 1929 Chaves foi elevada à categoria de cidade.

Sunday, 21 January 1900